sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Um novo amor (parte um)

Desde a primeira vez que o vi, achei-o interessante. Ficámos amigos. E quando me apercebi, já era amor. E agora cá estou eu à espera que ele venha falar comigo. De acordar amanhã e ter aquela mensagem que tanto espero. A desejar que ele seja o tal, que desta vez seja tudo diferente. Que tudo dê certo e que a nossa relação seja perfeita. É difícil de explicar o que sinto, é difícil encontrar as palavras para isto. Já lhe tentei dizer, mas é como se não conseguisse falar, portanto limito-me a olhar. Cada vez que tento seguir em frente, arrependo-me. Cada vez que ele erra, dá vontade de desistir, por medo. Medo de sofrer, de as pessoas acharem que sou uma coitadinha atrás de alguém que não quer saber de mim, que ele se canse. Eu quero lutar por nós, mas ao mesmo tempo só me quero afastar para não ficar ainda mais magoada. Penso em desistir, aí ele aparece e faz-me desistir de desistir dele. Eu tenho a certeza que quero ser feliz com ele, aí ele faz porcaria e faz-me querer desistir. Penso que todas as outras são melhores e o merecem mais. É impressionante como ele me faz tão bem e ao mesmo tempo me deixa tão mal. Mas ele parece ser diferente, vejo nele que pode ser o tal rapaz que tanto procuro. Nós podemos ficar juntos. Quando estou na escola, ele é a primeira pessoa pela qual procuro. Quando acordo ele é o meu primeiro pensamento. Antes de adormecer é a última pessoa em qual penso. Adoro a forma como fala, como me olha e como sorri para mim. Ele não é perfeito, na verdade tem imensos defeitos e magoa-me constantemente. Ele pode não ser o rapaz mais bonito ou popular. Podem até achar mal dele. Mas ele é o único capaz de me fazer sorrir com apenas um olhar. Capaz de me fazer esquecer todos os problemas quando estamos juntos. Capaz de me tirar o sono quando manda mensagem de noite. Capaz de me deixar corada quando sorri e olha para mim. Nervosa quando sei que o posso encontrar. Triste quando sei que vou passar um dia sem o ver. Ele despertou em mim sentimentos nunca antes sentidos. Ensinou-me que quando se ama realmente, idade é apenas um número. Que amar alguém não é achar a pessoa perfeita mas sim saber dos defeitos e mesmo assim quere-la por perto. Saber que me vou ferir e mesmo assim lutar por nós. Ele adora provocar-me. Não sabe desmonstrar os sentimentos mas quando quer, sabe ser super querido. Às vezes é frio e agressivo. Num minuto está comigo e noutro já se está a ir embora sem se despedir. Ele é tudo o que quero e sei que vou ter que me esforçar para as coisas darem certo. Continuar a lutar pela relação, mesmo depois de ser meu. Deixar o orgulho de parte cada vez que discutimos. Eu prometo ter sempre calma, nunca falar de cabeça quente, dar valor, dar sempre o braço a torcer, cuidar e amar como se não houvesse amanhã. Nós vamos ficar juntos. Vou acordar e ter uma mensagem dele a dizer "bom dia minha princesa". Vou para a escola e ele virá ter comigo. Estaremos juntos quatro a cinco vezes por dia. Vamos rir e gozar um com o outro. Discutir sobre quem ama mais. Fazer promessas e cumpri-las. Inventar alcunhas fofas. Chamar nomes para provocar. Ter ciúmes de forma saudável, claro. Vamos ser invejados por não terem uma relação como a nossa. Vamos contar um com o outro e ajudar sempre que possível. Fortalecer a relação dia após dia. Cuidar um do outro. Crescer juntos. E quem sabe se ele for o tal, um dia casar, morar na nossa casa e formar uma família. E se não for o tal, vamos ter uma discussão, inconscientemente contribuir para que a relação fique fraca e um dia vai acabar, um de nós vai deixar de gostar, e provavelmente vai ser ele. Ele vai dizer que não consegue continuar mais, que já não sente o mesmo, mas que podemos continuar amigos. Eu armada em parva vou concordar e dizer que também estava a pensar em acabar. Mas vou sofrer, e levar uma eternidade a esquece-lo. Vou pensar em tudo que fiz de mal para que ele me deixasse. Culpar-me por ter acabado. Sentir mal por não ter feito mais por nós. Sentir a falta dele todos os dias. Vou passar por ele e lembrar-me de toda a nossa história. Vai bastar ouvir uma música triste e em seguida pensar nele. Nunca mais vamos ser amigos, nem sequer falar. Muito tempo vai passar, e no fim, vou-me lembrar dele uma última vez e já não vou ficar mais triste ou sentir saudades, vou apenas sorrir. E aí vou perceber que segui em frente.