terça-feira, 19 de novembro de 2013
Desabafo #1
Não me lembro da última vez que estive bem. Já não sei o que é acordar e pensar "vai ser um ótimo dia". O que é ir para a escola feliz por ver as pessoas. Ter motivação para fazer algo, ter sonhos. Honestamente já lá vão uns meses desde que estou assim. Quando parece que finalmente as coisas estão a ir bem, acontece algo horrível. Há um tempo para cá a situação agravou. Acordo com uma vontade tremenda de voltar a dormir tipo para sempre. Passo o dia com um sorriso falso na cara. Chego a casa, faço o que tenho de fazer, vou para o quarto e choro até ao dia seguinte. Já não tenho mais forças para sorrir, para fingir que está tudo bem, sinto que até o vento é capaz de me fazer cair. Sinto-me trocada, deixada, abandonada, inútil. Sinto-me como se fosse aquela aula de matemática super chata que as pessoas odeiam. Como uma nódoa em cima de uma camisa branca que as pessoas se tentam livrar. Por mais que eles não admitam eu sei que não faço falta, que não sou minimamente importante. E para a minha família? Só sirvo para fazer favores porque de resto, sou uma rapariga que não presta, que não faz nada na vida, aliás que só faz porcaria, que nunca vai ser boa o suficiente, que é comparada a todos os outros. Eu sei que nunca vou ser uma boa filha, uma boa amiga, boa namorada, aluna ou colega. Sei perfeitamente que sou uma desilusão para toda a gente, que sou lixo nesta sociedade. Sei também que sou estranha, patética, faço drama, sou fria e passo a porcaria da vida a magoar toda a gente. Portanto podem parar de me esfregar isso na cara a cada erro que cometo. As pessoas julgam-me, inventam coisas a meu respeito, dizem-me coisas horríveis, e eu tenho que agir como se nada se passasse, fingir que aquilo não me matou por dentro, porque se chorar à frente deles vão pensar que é para chamar a atenção. Portanto guardo tudo dentro. Mas por que razão tenho que sofrer assim tanto? Até quando vou aguentar isto? Até cometer suicídio? Iriam perder a rapariga ingênua, bipolar e deprimida. Faria alguma diferença para eles? Será que algum deles iria chorar? Será que algum deles iria sentir a minha falta? Então e as pessoas que me odeiam? Iriam ficar felizes ou chateados por já não terem o prazer de me deitar abaixo, de me pisarem? Lá bem no fundo, ainda tenho esperança que as coisas vão ficar bem. Eu afasto-me facilmente das pessoas, mas na verdade quero que elas me peçam para ficar. Quero que alguém me abrace e diga que vai ficar tudo bem. Quero que alguém se chegue ao pé de mim, que pergunte se estou bem, e em seguida me olhe nos olhos e veja o tamanho do meu sofrimento. Quero que alguém me pergunte como foi o meu dia, e pode até mesmo exagerar e dizer que sou especial, não me importo se não for vindo do coração, só quero um sinal de que ainda posso ser feliz. Tenho medo do amanhã, tenho medo de sair de casa, medo das pessoas e que por azar alguma delas pergunte o que se passa comigo e eu comece a chorar. Porque como já disse, basta uma boca do mais baixo nível para me fazer desmoronar.